domingo, maio 07, 2006



GRANT McLENNAN foi, para mim, o PAUL McCARTNEY da minha geração. Como sempre acontece com aqueles abençoados com o talento milagroso de colorir os nossos dias, as nossas vidas, as nossas memórias, foi chamado cedo à presença de Quem pensou existir o risco de, por causa de anjos como ele, a Terra se transformar num lugar celestial.

Que continue a compor canções que nós nunca as deixaremos de ouvir. Um dia irá tocá-las para nós.

Nada é mais certo nesta vida.

If the cliffs were any closer,
If the water wasn’t so bad.
I’d dive for your memory
On the rocks and the sand.

I’d dive for you
Like a bird I’d descend
Deep down I’m lonely
And I miss my friend.

So when I hear you saying,
That we stood no chance,
I’ll dive for your memory
We stood that chance.

We stood side by side,
Strong and true.
Just wish you’d remember,
Bad times don’t get you through.

So when I hear you saying,
That we stood no chance,
I’ll dive for your memory
We stood that chance.

Now, I dive black waters
The waters of her dream.
Are black and forgetful
I’d like to make them clean.

So when I hear you saying,
That we stood no chance,
I’ll dive for your memory
We stood that chance.

So when I hear you saying,
That we stood no chance,
I’ll dive for your memory
We stood that chance.

quinta-feira, junho 02, 2005

Stax Museum of American Soul Music



Have Rosa dos Sons, will travel! Para compensar os visitantes por um fim de semana prolongado (infelizmente por conta de trabalho…) a Rosa dos Sons oferece a todos os que por aqui passarem uma espreitadela no inesquecível The Stax Museum of American Soul Music. Demorem o tempo que for preciso, explorem os cantos todos e oiçam tudo o que puderem. À saída podem começar por comprar esta caixinha: The Complete Stax-Volt Singles 1959-1968.

quarta-feira, junho 01, 2005

AZTEC CAMERA - Just Like Gold / We Could Send Letters + Mattress Of Wire / Lost Outside The Tunnel

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Meses atrás, por ocasião de uma reportagem da Uncut sobre pop escocesa, Roddy Frame explicava que não tencionava recuperar em CD os quatro temas dos lendários singles gravados pelos AZTEC CAMERA para a Postcard em 1981. Dizia ele que eram edições imbuídas do espírito do “som da Escócia jovem”, cada exemplar embalado à mão – coisa impensável nos dias do mp3. Podemos concordar mas não deixa de ser criminoso que tanta gente fique privada de ouvir algumas das melhores canções que Frame alguma vez gravou como as belíssimas Mattress of Wire e Just Like Gold, antes da produção sofisticada de High Land, Hard Rain ter subtraído algum do charme adolescente destas primeiras gravações. Fica a recomendação apesar de se tratarem de gravações difíceis de encontrar. Os lados B oferecem versões encantadoras We Could Send Letters e Lost Outside the Tunnel.

know the place that you've had visions of
There are no windows, no sunlight there
Three stories high and there are no stairs
It's anywhere that you're alone
As a child you had a ragged doll
That used to follow you around
We made a mound on some sacred ground
And never was it seen again

And when you speak, I still hear the fire
Of cheated desire for diaries embossed
Of days that you've lost
How can you sleep on a mattress of wire
Oh, how can you tire
Aspiring for sure to all that is pure

So say goodbye to all those ne'er do wells
Smile in religion and then smile farewell
Your magic doesn't need the failing spells
Of those that never understand
And manners, they will find no place
With those that have no saving grace
With you I see the irony
Of anyone who has no faith

Of that I am sure

segunda-feira, maio 30, 2005

AMERICAN MUSIC CLUB - A Toast To You [Live]

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Quem sentiu a falta da guitarra de Vudi nos concertos dos AMERICAN MUSIC CLUB em Portugal deve ouvir A Toast To You, selecção de alguns momentos de um espectáculo no Rex Theatre de Pittsburgh datado de Novembro do ano passado e disponível através de encomenda no site da banda. Uma selecção significa que não ouvimos a maior parte das histórias que Eitzel conta entre canções mas, ainda assim, o CD regista divagações bem-humoradas sobre o seu actual desinteresse pelo consumo drogas e a secessão do norte da Califórnia (“NorCal”), esta última precedendo a encantadora Western Sky já no encore. Outside This Bar encerra o alinhamento do concerto que não diverge muito do que ouvimos por cá:

1. Why Won’t You Stay?
2. Gratitude Walks on 6th St.
3. Only Love Can Set You Free
4. Another Morning
5. Johnny Mathis’ Feet
6. Patriot’s Heart
7. Job To Do
8. Home
9. Myopic Books
10. Amusing Interlude # 1
11. Blue And Gray Shirt
12. Outside This Bar
13. Western Sky
14. Amusing Interlude #2

quinta-feira, maio 26, 2005

KRISTIN HERSH - Santiago Alquimista, Lisboa (2005.05.25)

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De passagem por Lisboa entre concertos de promoção do álbum estreia da nova banda nos EUA, o concerto de ontem no Santiago Alquimista soou, estranhamente, à interpretação acústica das canções de KRISTIN HERSH pela vocalista dos 50 FOOT WAVE. O registo actual da voz de HERSH tem mais a ver com o que podemos ouvir em 50 Foot Wave EP e Golden Ocean pelo que, especialmente no início, sobrou em crispação o que faltou no domínio tenso entre o fio de voz cândido e as explosões trémulas que me encantaram há quatro anos em Barcelona. Outra prova de que este formato não estava nos planos de HERSH foi dada por um alinhamento retirado da digressão acústica de 2001 (Sunny Border Blue em destaque, Hips & Makers e THROWING MUSES revisitados) no qual apenas entrou um (!) tema do mais recente The Grotto. Também a postura em palco teve menos a ver com o transe e estado de possessão pelas canções do concerto Barcelona e mais com uma atitude descontraída, na medida do que é possível para KRISTIN HERSH que se confessa menos à vontade quando está sozinha em palco. E no entanto a interacção com o público continua a ser um dos pontos altos. A introdução das canções com pequenas vinhetas entre o bizarro e o divertido dão algum insight sobre a sua origem e foi uma pena que pelo meio do concerto as canções se sucedessem sem grande conversa. Mas o regresso ao palco trouxe mais boa disposição e o público foi caloroso e acolhedor. Ao terceiro chamamento o filho mais novo veio ao colo: o público percebeu a mensagem e concedeu uma ovação final. Nota muito positiva para a introdução ao concerto de Billy O'Connell, marido e manager, convidando o público apertado contra a cabine de som para se sentar no espaço em frente ao palco. O alinhamento por ordem alfabética:

37 Hours
A Loon
Cottonmouth
Delicate Cutters
Flipside
Gazebo Tree
Heaven
Hook In Her Head
Me and My Charms
Pearl
Snake Oil
Soap & Water
Spain
Sundrops
Teeth
The Cuckoo
Uncle June & Aunt Kiyoti
White Suckers
Your Dirty Answer
Your Ghost

terça-feira, maio 24, 2005

KRISTIN HERSH - El Baile Apolo, Barcelona (2001.05.16)

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Em Maio de 2001, Sunny Border Blue tinha acabado de sair e a minha namorada (agora esposa) voou-me até ao El Baile Apolo, em Barcelona, para assistirmos ao concerto acústico de KRISTIN HERSH. Sendo as THROWING MUSES a banda de referência da minha adolescência tratou-se de um acontecimento mágico sobre o qual escrevi poucos dias depois no Fórum Sons. Em vésperas do reencontro no Santiago Alquimista apeteceu-me recuperar o texto da altura:


Digo-vos: sempre gostei muito de música mas nunca fui dado a fanatismos. Até ouvir “Finished”. Só mais tarde vi o rosto adolescente do caleidoscópio sonoro e lírico de “Throwing Muses” (1986) e “Chains Changed” (1987). Estávamos em 1988, o vídeo chamava-se “Fish” e eu tinha 16 anos. A partir daí tornou-se pura devoção. E durante muitos meses uma obsessão. Aos 16 anos é fácil sermos tomados por obsessões e fantasias. A minha era a de partilhar um espaço com Kristin Hersh.

*

Seria muito difícil imaginar um espaço perfeito para este encontro. Seria muito difícil imaginar um espaço melhor que El Baile Apolo em Barcelona. A entrada é insuspeita e a impressionante máquina promocional investiu numa folha de papel A4 colada no vidro da porta com as minúsculas letras “Kristin Hersh 22.00 H” para divulgar a coisa. El Baile Apolo, um elegante e antigo clube de jazz, é uma pequena pista de dança limitada por um bar e um estrado que servirá de palco. Algumas mesas de café e cadeiras foram espalhadas pela pista para uma audiência que não chega a duas centenas. A luz é mínima e a acústica excelente. Chegamos cedo e ocupamos uma mesa. Se me levantar e der três passos largos em frente estou em cima do palco. Sem exagero. É uma espécie de café-concerto. O ambiente é de serão entre amigos.

*

Conversa-se distraidamente quando Kristin, passo apressado, entra em cena e se senta à nossa frente. ‘Guitar pick’ entre os dentes, pega numa das duas guitarras acústicas que começa a afinar ignorando o público. Alguém se apercebe e surgem aplausos solitários que crescem até se tornarem numa ovação de boas vindas. Kristin deita um olhar fugidio à sala e murmura um “Hello” quase imperceptível. Absorta com a guitarra, ataca “Your Dirty Answer”.

*

“It has been suggested that I was insane during the Muses early days, something I have vehemently denied in my effort to prove that this stuff could come out of our girlfriends our sisters, and our mothers. Listening now, I wonder if I was all there, but maybe that was the point. Our girlfriends, sisters and mothers have been known to go elsewhere at times, too.”

KH, Junho de 1998

*

Alguém se recorda do vídeo de “Fish”? Nervosa, cantando entre dentes, de olhar fixo enquanto sopra a teimosa madeixa loura que lhe cai sobre a face e segurando a guitarra eléctrica com tal força que parece desfazer-se a qualquer momento nas suas mãos. A imagem de ‘angry young woman’. Fascinava porque podia ser qualquer uma das minhas colegas de turma ou a rapariga da porta ao lado vociferando sobre Kafka e peixes de olhar vítreo crucificados nas paredes de casa. Ou uma das nossas irmãs ou namoradas decidindo fundar o seu próprio grupo rock sobre uma citação de Martin Heidegger e na leitura de TS Elliot. Kristin não olha o seu público. Amarra o olhar num ponto distante do fundo da sala e embala a guitarra com os movimentos de um batedor – esquivando-se dos olhares curiosos, torneando as imagens mais difíceis e gritando o que mais lhe custa cantar. Foi um início tão solitário que nem parecia estar ali. E como aqueles olhos brilhavam...

*

Afinal o estado natural de Kristin Hersh em palco é a mais pura timidez. Para mim, depois de ter lido dezenas de entrevistas, é uma surpresa. Quando, finalmente, se dirige ao público fá-lo num tom monocórdico, sedado e raramente olhando em frente. Absorvida com a afinação da sua guitarra, vai dizendo em jeito de ladainha:

“It’s Tuesday night. Nobody does anything on a Tuesday night. What are you doing out?”
Resposta anónima: “We came to see you”
“Oohh... I am impressed. Don’t you have to work tomorrow?”
“yeah”
“Me too”

Mais adiante introduz “Uncle June and Aunt Kiyoti” mencionando o pai (“He wrote this song for me. My father did a lot of drugs when he was young so you don’t have to listen to the words”) e descreve com humor a infortúnio da menina de “Down in the Willow Garden” à luz do folclore dos Apalaches. Não é efusiva mas é genuína. Não se esforça por divertir a audiência mas na conversa ocasional que se vai instalando nota-se a sua curiosidade em conhecer quem são aquelas pessoas que saíram de casa numa Terça à noite para a ouvir cantar. Porque é que estão ali?

*

Alguém que não consigo ver grita, com um sotaque americano, “Cry Baby Cry!”
Kristin olha para o fundo da sala visivelmente surpreendida: “Cry Baby Cry?! Whoa!! Who are you?”
“I’m from Rhode Island”
“Rhode island? What are you doin’ here?”
“Hangin’ ‘round”
“Hangin’ ‘round...humm... let’s see, what was i supose to play...? Oh, i got it.”

Não surgem temas antigos no alinhamento. Kristin recua até “Real Ramona” para uma versão acústica deslumbrante de “Hook In Her Head” a milhas do insípido original de estúdio. “Tar Kissers” é a convidada de “Limbo”. Espreitam “Sundrops”, “Velvet days”, “Me & My Charms”, um hipnótico “Close Your Eyes” e o inevitável “Your Ghost” – todos de “Hips & Makers”. De “Strange Angels” somos mimados com “Heaven” e “Gazebo Tree”. Alguém devia editar este concerto. Ou qualquer outro desta digressão que seja tão intenso quanto este. À medida que Kristin desfia os temas de “Sunny Border Blue” apercebo-me, para meu espanto, que o álbum não faz justiça às canções que estou a ouvir. E nenhuma gravação fará alguma vez justiça à interpretação a que estou a assistir aqui.

*

Kristin por vezes assusta. Quando o tom de voz se eleva parece que grita connosco. Parece enfurecida e a sua voz enrouquece e treme para, logo de seguida, passar a um lamento. Uma voz masculina pede “Pearl” e ela acede (“I’m not sure i remember the words. Could you sing it? It’s from the female point of view...”). Subitamente chovem pedidos. Eu não precisei de pedir nada: esta noite Kristin tocou “Teeth”, que eu acompanhei palavra por palavra porque é a canção que me deixa um nó na garganta sempre que a oiço, e só por esse momento fez todo o sentido estar em Barcelona nesta noite. “You’re so tall / It’s like i climb a waterfall...”. Quando termina recebe uma ovação.

*

Termina o último tema do encore e Kristin abandona o estrado como entrou: ligeira mas, agora, com um aceno para a escassa plateia e um sorriso rasgado. Os aplausos prolongam-se mas desta vez é claro que o concerto terminou. Fica aberta uma réstia da cortina por onde desapareceu e ainda estou à espera de a ver regressar. Pouco a pouco, a sala vai ficando vazia mas fico teimosamente no lugar. Nesta minha fantasia ainda há um bar acolhedor e um convívio informal à volta de uma bebida em que se fala de sonhos adolescentes, concertos inesquecíveis e de um convite a visitar um país à beira mar plantado. Afinal, até há um bar convidativo aqui mesmo ao lado... Alguém vem na minha direcção com um sorriso em jeito de desculpa: Nosotros tenemos que fechar.

*

Cá fora está uma noite agradável. É cedo e as pessoas vão dispersando para a animação nocturna de Barcelona. Tiramos umas fotos à fachada do El Baile Apolo. O Hotel está ali perto e nesta noite já não há lugar para mais recordações. De Barcelona não quero outra recordação. Ainda vejo Kristin sorridente a abandonar o palco e lembro-me das palavras escritas em “In A Doghouse”:

“Besides, the idea was always to leave a big, fancy present on the table and tiptoe out of the room “

domingo, maio 22, 2005

AMERICAN MUSIC CLUB - Casa da Música, Porto (2005.05.22)

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Sem a guitarra de Vudi, o concerto dos AMERICAN MUSIC CLUB na Casa da Música, no Porto, foi sustentado pela peculiar presença em palco de Mark Eitzel e o piano do caloiro Jason Borger. O líder dos AMC combina um estilo desajeitado de comunicar com o público com interlúdios divertidos e corrosivos o que, em conjunto com a intensidade das interpretações lhe garante o centro das atenções e remete Dan Pearson (baixo), Tim Mooney (bateria) e Borger para posições mais discretas. Grande parte dos temas de um concerto dedicado aos “loosers” da noite futebolística incidiu sobre Love Songs For Patriots. Aqui fica, de memória, o alinhamento por ordem alfabética:

Another Morning
Blue and Grey Shirt
Challenger
Firefly
Gratitude Walks
Home
I've Been a Mess
Johnny Mathis' Feet
Ladies and Gentlemen
Love Is
Myopic Books
Only Love Can Set You Free
Patriot's Heart
Why Won’t You Stay

segunda-feira, maio 16, 2005

Fernando Magalhães faleceu ontem com 49 anos de idade. Hoje é um dia triste e não me apetece escrever muito. O Fernando entrou na minha vida através da divulgação entusiástica de música no jornal O Público e, sobretudo, pela sua participação delirante e extraordinariamente bem-humorada no Fórum Sons desde finais dos anos 1990. Trocámos muitas mensagens apesar de nunca nos termos encontrado pessoalmente. Eu começava a recuperar algum do entusiasmo perdido pelo pop-rock através do alt-country e dos derivados do rock independente e alternativo do década de 1980 quando o Fernando pulverizou os meus preconceitos musicais e alargou dramaticamente o horizonte de interesses ao chamar a atenção para a imensa riqueza da década de 1970 (rock progressivo, krautrock, etc.), para a música folk, para a música popular portuguesa e para os projectos de electrónica mais vanguardistas dos anos 1990. Como consequência reacendeu a minha paixão pela música e por todas as coisas ‘diferentes’. O Fernando entusiasmava-se e entusiasmava-nos. Não se levava muito a sério – outra grande lição que aprendi com ele. E fazia-nos rir. Rir como nunca me lembro de ter rido a olhar para o monitor de computador. Mesmo sem conhecer o Fernando no Fórum Sons acho que hoje continuaria a gostar de música. Mas não desta maneira, não com esta intensidade. Tocaste as nossas vidas, Fernando Magalhães. Agora que partiste, a tua imensa colecção musical pertence-nos.

A Rosa dos Sons regressa na próxima Segunda-feira, dia 23 de Maio.

domingo, maio 08, 2005

A Rosa dos Sons decidiu tirar umas mini-férias durante esta semana e regressará na próxima Segunda-feira, dia 16, com algumas novidades. Saudações a todos!

sexta-feira, maio 06, 2005

LAMBCHOP - Thriller

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Com o fim de semana à porta apeteceu-me regressar a Thriller, o álbum de 1997 dos LAMBCHOP. No ano passado, no âmbito de um artigo alargado sobre a discografia do grupo, escrevi um pequeno texto para a Puta da Subjectividade sobre este trabalho:

Os iniciados podem começar por esta fascinante obra-prima, simultaneamente assombrada e ensolarada. É quase inacreditável a amplitude atmosférica percorrida nos trinta e poucos minutos deste mini-lp. De um começo ambíguo feito de sons nocturnos reminiscentes dos barcos fluviais (“Your Face My Ass” é, simplesmente, a mais bela canção alguma vez assaltada por um título demente) irrompe uma sensibilidade pop, swingante e eminentemente dançável que, até aqui, não julgámos possível nos Lambchop (“Your Fucking Sunny day” e “Hey, Where’s Your Girl”). Daqui em diante, superada a breve melancolia de “Crawl Away”, emerge a peça central do disco: uma negra teia cuidadosamente tecida de folk acústica, distorção e country cristalino (“Gloria Leonard”) apenas desfeita numa longa tempestade subterrânea de feed-back (“Thriller”) que termina com a tensão nostálgica da belíssima “Old Fat Robin. No final, a redenção chega-nos com estalidos de dedos, sininhos e shalalas na tristeza embevecida de “Superstar In France”. Uma das raras obras-primas da geração alt-country e um disco obrigatório da década de 90.

quinta-feira, maio 05, 2005

Uncut Legends - ELVIS PRESLEY



O nº 5 da série Uncut Legends é dedicado ao maior dos mitos da música popular: ELVIS PRESLEY. São 150 páginas copiosamente ilustradas e repartidas por seis períodos: o ingresso na Sun e as gravações históricas nesta editora (1953-1955), o início e consolidação do estrelato e a histeria norte-americana (1956-1957), o recrutamento militar (1958-1962), o período cinematográfico e o casamento com Priscilla (1963-1967), o regresso triunfante no final da década de 1960 (1968-1970) e a fase terminal de Las Vegas (1971-1977). Muitas reflexões sobre as diferentes facetas artísticas de ELVIS (a voz, o actor, o olhar, o intérprete), recortes dos jornais de épocas e entrevistas, depoimentos de artistas contemporâneos sobre as canções que mais os marcaram, ensaios sobre os discos essenciais e anotações para a restante discografia e um precioso guia para a selva de discos, livros e DVDs dedicados ao Rei do Rock’n’Roll. Fundamental!

quarta-feira, maio 04, 2005

MARIA McKEE - You Gotta Sin To Get Saved



Os bons amigos do Fórum Sons desafiaram-me para escrever um pouco sobre o percurso da MARIA McKEE, o que fiz (um bocadinho em cima do joelho, por falta de tempo) ao som da country-soul estupenda do álbum de 1993 da menina, You Gotta Sin To Get Saved. Aqui está.

terça-feira, maio 03, 2005

LONE JUSTICE - The World Is Not My Home

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A mensagem de hoje serve para sossegar os fãs de MARIA McKEE e dizer que Peddlin’ Dreams é um excelente regresso depois da relativa desilusão do disco do ano passado, High Dive. Há já algum tempo que andava cá por casa à espera de ser ouvido e a inércia provocada pelo desgosto com o disco anterior foi finalmente vencida quando, por saudade, regressei à magnífica colecção dos LONE JUSTICE, This World Is Not My Home. Aqui fica o apontamento do All Music Guide sobre este último e a promessa que voltarei com mais tempo e detalhe ao álbum de 2005 da MARIA McKEE:

This hot elegy album for the dearly departed Lone Justice is sheer rockabilly road-trip, as well as an illuminating artifact by a smart (albeit frustrated) "crossover" band. Blends of hardcore old-country roots and fast modern originality can be iffy on the charts, but the efforts of post-Emmylou Harris drummer Don Heffington, Little Steven collaborator Ryan Hedgecock on guitar, and bassist Marvin "Mandolin Man" Etzioni are committed. In typical Justice fashion all songs are tagged by the distinct Kate Pierson-meets-Dolly Parton vocals of Maria McKee; in Emmylou-like "East of Eden" we hear great drums behind a rambly hand jive riff and lots of big-hair yelling. Highway rocker "Ways to Be Wicked" is all tambourines and banshee vibrato, and dramatic Maria gets talkative on stage with the lovestruck "Sweet Sweet Baby." A foot-stompin' good-time record.

segunda-feira, maio 02, 2005

TRÊS TRISTES TIGRES - Guia Espiritual

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O cortejo musical deste fim de semana foi encerrado na noite de Domingo com um retorno ao magnífico Guia Espiritual, de Ana Deus, Alexandre Soares e Regina Guimarães - os TRÊS TRISTES TIGRES. O ano passado tive a oportunidade de assistir a uma breve actuação ao vivo, nos jardins de Serralves, fazendo a primeira parte dos TELEVISION. Falou-se, então, num eventual regresso e a música pop(ular) portuguesa bem precisava de uma injecção de arrojo. Embora não haja muito sobre os TRÊS TRISTES TIGRES na net, a edição do Público “Os Melhores Álbuns da Música Popular Portuguesa 1960-1997” incluiu Guia Espiritual na safra de 1996 e escreveu algumas palavras sobre o disco:

O álbum de estreia destes tigres de caninos afiados chama a atenção para os duplos sentidos, os ritmos, o poder de sugestão das palavras. O salto dado com “Guia Espiritual” fez perder de vista esta perspectiva. Tratou-se, antes de mais, de uma operação sobre um conceito global do som. Alexandre Soares criou uma paleta sonora que, derivando de uma leitura selectiva dos anos 70 e 80, desaguou numa síntese de modernidade em que as noções de composição e produção se confundiram. A alma, transmutada num ecrã.

domingo, maio 01, 2005

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no horizonte:

DAVID BOWIE – Collection
KEITH JARRETT – Radiance [October 2002, shows in Tokyo and Osaka, 2xCD]
MIKE DOUGHTY – Haughty Melodic
NOUVELLE VAGUE - Nouvelle Vague
RAVEONETTES - Pretty In Black
RICKY ROSS – Pale Rider
RYAN ADAMS & THE CARDINALS – Cold Roses
SON VOLT - Live from Austin, TX [DVD]
THEY MIGHT BE GIANTS - A User's Guide to They Might Be Giants
vários artistas - Monty Python's Spamalot [original Broadway cast recording]