quinta-feira, março 31, 2005

JAN & DEAN - The Story

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Quando os dias começarem a crescer e o calor a apertar a minha sugestão é que sigam as placas que dizem “praia” ao som desta colectânea de 19 temas do ‘surfin’ duo’ JAN & DEAN – que podem encontrar, passe a publicidade, na Worten por menos de 5 euros. A primeira metade do CD começa com o single de 1958, Jennie Lee (ainda com Arnie Ginsburg no lugar de Dean Torrence) e prossegue com doo-wop cândido que alimentava a imaginação de garotinhas pré-púberes no final da década de 1950. O duo era, então, um caso de sucesso gerido por Herb Alpert e Lou Adler e não tardariam a cruzar-se com uns conterrâneos conhecidos pelo nome de BEACH BOYS onde um jovem Brian Wilson aprenderia algumas das inovadoras técnicas de produção de Jan Berry. A admiração mútua acabaria em parceria na feitura da imortal Surf City, canção que lançou toda a cultura surf do início da década de 1960 e que as gerações mais recentes talvez conheçam pelos RAMONES ou na versão ruidosa dos THE JESUS & MARY CHAIN (Kill Surf City - lado B do single April Skies, de 1987). É com ela que começa a segunda metade do CD, um desfiar de clássicos surf, alguns escritos com Wilson como Drag City, Dead Man’s Curve, The New Girl In School e Ride The Wild Surf. Música para durar todo o Verão, com ou sem prancha.

quarta-feira, março 30, 2005

JOY DIVISION - Unknown Pleasures

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‘Soundscape’ é a palavra mais precisa para envolver o encanto de Unknown Pleasures. Bernard Sumner fala em “psycho-architectural link” para explicar a música. Peter Saville: Manchester is a city of concrete underpasses and a gothic-revival cathedral; for me, Unknown Pleasures was the concrete underpass, while Closer was the gothic cathedral. Jon Savage: (…) one perfect reflection of Manchester’s dark spaces and empty places: endless sodium lights and semis seen from a speeding car, vacant industrial sites – the endless detritus of the 19th century – seen gaping like teeth from an orange bus…. Martin Hannett: It’s a science fiction city. (…) It’s all industrial archaeology, chemical plants, warehouses, canals, railways, roads that don’t take notice of the areas they traverse. Como diriam os ingleses, 'Unknown Pleasures in a nutshell'.

terça-feira, março 29, 2005

TOM RUSSELL - Hotwalker

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Hotwalker, segunda parte da trilogia de TOM RUSSELL e uma das edições vitais de 2005, é um fresco panorâmico sobre o oeste norte-americano do fim dos anos 1950 e início da década de 1960 habitada pelos fantasmas de trovadores, músicos, poetas e personagens populares (“real american heroes”) que acabariam vencidos e esquecidos no grande assalto perpetrado por “politicians, corporate madmen, collage professors e media people”. Privilegiando a declamação mais do que a canção, Russell, com a ajuda do caricato Little Jack Horton, lança um último olhar nostálgico sobre a América da “beat generation”, desempoeirando memórias em torno da figura de CHARLES BUKOWSKI. Mais do que canções, são atmosferas que vão ligando as palavras ressonantes de Russell projectando o ouvinte noutros tempos e lugares onde eram comuns as evasões na direcção da fronteira mexicana em busca das promessas de rum, tequilla, prostitutas, fiestas e touradas em lugares como Juarez ou Tijuana. Ou então nos salões fumarentos de Los Angeles onde germinava o ‘heroin jazz’ de ART PEPPER, CHET BAKER, ‘the south central sound”. Russell dá também um salto à ‘east coast’ prestando tributo à figura de DAVE VAN RONK (o ‘Papa’ de Greenwich Village, mentor de BOB DYLAN e PHIL OCHS) para depois regressar à costa Oeste e desterrar do passado as vozes de gente como EDWARD ABBEY (com o seu lirismo inspirado na pureza e beleza selvagem do Oeste americano), HARRY PARTCH (revolvendo tralha inútil para construir instrumentos de onde extraía os sons surreais), a poesia beat de JACK KEROUAC ou o LENNY BRUCE, sempre acossado pela América puritana e politicamente correcta que, no fim, o venceria. Pelo meio Russel ainda presta homenagens sentidas ao som de Bakersfield, de BUCK OWENS, MERLE HAGGARD e outros exilados do ‘dust bowl’, personagens de Steinbeck, refugiados do Oklahoma que trouxeram para a Califórnia as steel guitars e ‘hillbilly music’. A música vai desde jazz ao “west coast style black gospel” com sopros pelos acordeãos e violões de mexicali, canções religiosas de peregrinos, valsa e polkas da fronteira e country & western. [Bukowski] told us what it was like behind the shades in all those lonely rooms in Hollywood, and if you don’t think there are a lot of people dying behind the shades in lonely rooms then you don’t know America. Um disco de fôlego admirável e candidato a álbum do ano!

segunda-feira, março 28, 2005

JEFFERSON AIRPLANE - Surrealistic Pillow

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Há dois anos atrás, no fim de uma certa tarde de Verão, conduzia por estradas secundárias do interior da Provença francesa à procura do caminho de regresso a Aix-en-Provence. Estávamos em férias e o dia tinha sido longo com paragens demoradas por Sisteron, escaladas ao monte encimado por uma igreja em Castellane e centenas de quilómetros percorridos, uma boa parte através das sinuosas estradas dos desfiladeiros do Verdun. A serenidade bela de Aiguines tinha ficado para trás e a luz diluía-se rapidamente na penumbra acordando os candeeiros que clareavam os caminhos rurais das aldeias que cruzávamos. O cansaço de uma dia cheio e a leve ansiedade por estar a milhares de quilómetros de casa, num sítio desconhecido, aumentava o desejo pela auto-estrada que teimava em não aparecer, apesar da sua proximidade no mapa. Quando finalmente surgiu e iniciámos a viagem de regresso na direcção do crepúsculo inflamado deixei tocar Surrealistic Pillow e ocorreu-me, pela primeira vez, como My Best Friend, Today e Comin' Back to Me perfazem uma das sequência mais belas algumas gravadas em disco. Mais à frente a guitarra acústica de Jorma Kaukonen em Embryonic Journey quase podia sair de um dos primeiros discos dos FAIRPORT CONVENTION. São necessárias estradas assim, em dias como este, muito longe de quase tudo aquilo que nos é familiar para que um disco entre na nossa vida.

domingo, março 27, 2005

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No horizonte:

DINOSAUR JR – Dinosaur (reedição)
DINOSAUR JR – You’re Living All Over Me (reedição)
DINOSAUR JR – Bug (reedição)
BRUCE SPRINGSTEEN – Born To Run: 30th Anniversary Reissue
KATE & ANNA McGARRIGLE – La Vache Qui Pleure
LUCINDA WILLIAMS – Live at Fillmore West [2xCD]
SANDY DENNY – Like An Old Fashioned Waltz (reedição)
SANDY DENNY – Sandy (reedição)
SANDY DENNY – Rendezvous (reedição)
SANDY DENNY – North Star Grassman and The Ravens (reedição)

sábado, março 26, 2005

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(alguns) sons que rodaram esta semana:

ALL ABOUT EVE – All About Eve
BECK – Odelay
CLEM SNIDE – End of Love
COCTEAU TWINS – Heaven or Las Vegas
GO-BETWEENS – Ocean’s Apart
LOVE TRACTOR – Themes From Venus
MARY LORSON & SAINT LOW – Tricks For Dawn
ORANGE JUICE – Ostrich Churchyard
TOM RUSSELL – Hotwalker
VIC CHESNUTT – Ghetto Bells

sexta-feira, março 25, 2005

LOVE TRACTOR - Themes From Venus

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Já que andamos a falar em regressos rodeados de enormes expectativas é obrigatório mencionar o novo Black Hole dos LOVE TRACTOR que desde 1989 não davam notícias. Durante a década de 1980, os LOVE TRACTOR foram uma das mais extraordinárias e tristemente esquecidas formações do contingente de Athens, GA formado em torno do 40 Watt Club e que congregou grupos como os PYLON, B52’s, R.E.M e UH-OK entre outros. A pop instrumental bizarra dos primeiros discos, recuperados em CD há alguns anos atrás, evoluiu progressivamente para canções mais convencionais e cantadas no excelente This Ain’t No Outter Space Ship de 1987. Mas foi no disco seguinte Themes From Venus, de 1989, que os LOVE TRACTOR realmente deslumbraram ao equilibrar a veia imaginativa dos álbuns iniciais com uma destreza musical entretanto aprendida para oferecer um som que alguém definiu da seguinte forma: "if Mars was colonized about twenty years ago, with cities and bars there, my guess is that Love Tractor probably would have been the in-house bar band". Espécie de B52’s mais orgânicos ou R.E.M. tomados por algum delírio psicadélico, infelizmente há muito tempo fora de circulação, é um dos discos mais luminosos e adoráveis de sempre e abre com Broke My Saw, uma canção pop perfeita como poucas.

quinta-feira, março 24, 2005

MARY LORSON & SAINT LOW - Tricks For Dawn

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Se descontar Oceans Apart dos GO-BETWEENS, só há um disco acerca do qual posso dizer que conto os dias para me chegar aos ouvidos: Realistic, o novo MARY LORSON que sai a 18 de Abril. Sobre LORSON, infelizmente, acho que não sou capaz de escrever nada que lhe faça justiça. Digo apenas, sem pestanejar, que é uma das mais importantes escritoras de canções e a mais extraordinária intérprete a cintilar no universo pop-rock dos últimos 15 a 20 anos, pelo trabalho a solo, pelos quatro soberbos álbuns nos MADDER ROSE e pelo álbum com os SAINT LOW. Tricks For Dawn sagrou-se, oficialmente, o meu disco do ano de 2002, uma banda sonora singular para percorrer a pé, noite dentro, as desoladas avenidas da cidade abandonada no pico do Verão, até a alvorada a inundar de azul metálico levando de vencidos os arco-íris de néon. Enquanto se murmuram as palavras de Long Way Down:

Go ahead and stare the moon is yours, look all you want
The stationary cloud, the only light won’t burn you out
Maybe you were right, I never learned to fight, I just stood in line
In the city down below, the shy kids getting nothing, the time running low
Domino, fate’s lack of judgement led you here to me
Where you choose to ride between the earth, the sky, the sea
In the city we just left, happy fires are burning out there’s nothing but smoke
You go roundtrip in your head but you don’t come home the same and nobody knows
In
I wouldn’t let you and you wouldn’t come
Sin
Covering everything we couldn’t climb
And it’s such a long way down
Slow until you’re going you go fast until you stop
No match is made in heaven we’re just present in the effort
Or not
Heaviness in chest, and the city in your head’s just one of those turns
And the things you remember best, left out of the telling, make you feel worse
In the fanfare we just laughed, spinning wheels were going nowhere, the dizzying reel
And the burning sugar smell
You, in love with someone else…

quarta-feira, março 23, 2005

Cais - Março 2005

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O último número da revista Cais, integralmente dedicado ao concerto de 1975 dos GENESIS no Pavilhão dos Desportos de Cascais, é uma edição para guardar repleta de dezenas de fotografias do espectáculo, dos preparativos, das deambulações da banda por Lisboa e arredores e do Portugal em pleno PREC. Tudo devidamente comentado com textos da época e actuais e depoimentos emocionados de quem, 30 anos depois, guarda muitas memórias daqueles dias. Eu tinha 3 anos de idade e estava a muitos quilómetros de distância mas através destes testemunhos é possível imaginar o impacto de todo o aparato progressivo do “melhor grupo do mundo” com “o melhor álbum de sempre” num país retrógrado e fechado há décadas para o resto do mundo. E apetece procurar pelo DVD recentemente editado.

terça-feira, março 22, 2005

ALL ABOUT EVE - All About Eve

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Sempre adorei o romantismo desbragado do primeiro álbum dos ALL ABOUT EVE, uma jóia da pop gótica da segunda metade dos anos 80 com a voz perfumada de Julianne Regan evocando um imaginário medieval povoado de acampamentos ciganos, luar enfeitiçando os campos e amantes procurando-se em bosques brumosos. Hoje, como em 1988, parece um imaginário ingénuo mas a verdade é que a música conserva um equilíbrio milagroso em temas como Never Promise (Anyone Forever), Gypsy Dance, Emily, Lady Moonlight e Wild Hearted Woman. A excepção é o dueto com Wayne ‘THE MISSION’ Hussey onde a coisa escorrega para a baladona soft-rock. Tudo o resto é certeiro e, muitos anos mais tarde, o sucesso estratosférico de Martha’s Harbour traria o merecido reconhecimento comercial. Mas aqui não passava de uma belíssima interpretação lado a lado com uma versão espectral do clássico dos FAIRPORT CONVENTION, She Moves Through The Fair.

segunda-feira, março 21, 2005

Cristina Branco ao vivo em Coimbra

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CRISTINA BRANCO actua hoje em Coimbra, no Teatro Académico Gil Vicente, e o repertório deve incluir uma boa parte de Ulisses que, como quase toda a gente já deve saber, é um dos grandes discos cantados em português deste ano. Se desculparmos (não custa nada) o tropeção final de Fundos, é fácil dizer que sabe a injustiça destacar qualquer canção num disco estilisticamente tão eclético como consistente na qualidade da música e das interpretações. É um salto impressionante mesmo para quem conhecia Murmúrios, Post-Scriptum, Corpo Iluminado e Sensus. E deixa enormes expectativas para logo à noite.

domingo, março 20, 2005

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No horizonte:

DJ DOLORES – Aparelhagem
LOVE TRACTOR - Black Hole
MARK MULCAHY – In Pursuit of Your Happiness
NICK CAVE & THE BAD SEEDS- B-Sides and Rarities 3xCD
PRECIOUS BRYANT – The Truth
RADAR BROS - Fallen Leaf Pages
STEVE WYNN - What I Did After My Band Broke Up
Vários artistas - Love’s A Real Thing: World Psychedelic Classics 3
vários artistas - Tribute to the Cars: Substitution Mass Confusion
YO LA TENGO - Prisoners Of Love 3xCD

sábado, março 19, 2005

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(alguns) sons que rodaram esta semana:

50 FOOT WAVE – Golden Ocean
ALASDAIR ROBERTS – No Earthly Man
ANI DiFRANCO - Knuckle Down
BRENDAN BENSON - The Alternative to Love
CRISTINA BRANCO – Ulisses
HOWLING HEX – All-Night Fox
JAN & DEAN – The Story
MORY KANTÉ – Sabou
TINARIWEN – Amassakoul
vários artistas - Across the Great Divide: Music inspired by The Band

sexta-feira, março 18, 2005

SANTA MARIA, GASOLINA EM TEU VENTRE!

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O CD da Zounds que reune free terminator / falcão solitário sem ser distorção (Ama Romanta, 1989) e o EP Go West, Celine (Ed. autor, 1991) dos SANTA MARIA, GASOLINA EM TEU VENTRE! é um sério candidato à reedição do ano a nível nacional. O LP recorda-me o ano de 1989 e as noites passadas a ouvir a Ilha dos Encantos, do Amílcar Fidelis, na Antena1. Há alguns anos, estava o disco completamente esquecido, deixei dois dedos de prosa no Fórum Sons que despertaram alguma curiosidade pela música. Aqui fica na expectativa de abrir o apetite por esta edição há muito esperada:

Ok, querem qualquer coisa simples?

Que tal dadaísmo aplicado ao rock? Ou noise rock literário? Ezra Pound e a loucura do leopardo buzinado? Hoje, como há treze anos atrás, continua a ser dificíl qualquer tentativa de classificar o único álbum dos SMGETV!

Sempre podemos imaginar qualquer coisa como a essência metálica dos Sonic Youth derretendo debaixo de temperaturas infernosas. Metal a pingar. Melaço sonoro deslizando em camadas sobrepostas. Estridência abrasiva. Ferrugem em sublimação. No entanto, não se iludam: no céu desta paisagem irrespirável de enxofre colidem atmosferas mágicas e dele despenham-se torrões áridos de melodia.

Como qualquer outra besta indomável, "Free-Terminator ou Falcão Solitário Sem Ser Distorção" ganhou cedo uma vida própria e escorreu da mesa de mistura, através dos amplificadores, revoltando-se contra os seus próprios criadores.

Jorge Ferraz: ... a coisa entrou em delírio e exagero. Cheguei a meter mais cinco guitarras em cima, uma coisa doida. Foi uma maluqueira para misturar aquilo. A esse nível, perdi completamente o controlo da gravação. Nenhum dos dois (produtores - Ferraz e João Peste) deu conta do recado (...) Tive mesmo que me tratar em otorrinologia.

A crueldade da criatura acabaria por se reflectir sobre a música moderna portuguesa ensombrando a vaga de bandas portuguesas que, durante a primeira metade dos anos 90, imitaram sem rasgo o noise rock dos anos 80. Em 1989, os SMGETV! já tinham tomado, momentaneamente, a camisola amarela, fugido do pelotão encabeçado pelos Sonic Youth e percorrido solitariamente geografias sonoras que, ainda hoje, caem fora dos limitados mapas musicais do rock.

É urgente recuperar este álbum. Em vinil. Porque não cabe em nenhuma rodela de acrílico: é demasiado selvagem para se deixar digitalizar.

[ para mais informações, recorram ao excelente texto do Rui Catalão sobre este álbum publicado em «Os melhores Álbuns da Música Portuguesa 1960-1997» (Público/FNAC, 1998) ]

quinta-feira, março 17, 2005

Coimbra em Blues

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Apesar de ter perdido o peso pesado BIG BLACK JOHNSON, previsto no cartaz mas ausente por motivos de doença, e de ter enfrentado contrariedades de vários quadrantes, o 3º Festival Internacional de Blues apresenta-se hoje à cidade de Coimbra com uma ementa convidativa e diversificada. Para além da oportunidade de ouvir nomes como T. MODEL FORD ou ROBERT BELFOUR o público tem ainda ao dispor workshops de harmónica (com KEITH DUNN, dia 16) e voz (SHEILA WILCOXON, dia 17) e sessões de cinema com o documentário The Search for Robert Johnson e a série de 7 filmes produzidos por Martin Scorsese, The Blues - a musical journey. Paralelamente decorre uma exposição retrospectiva da 1ª e 2ª edições do Festival com fotografias de diversos autores. Motivos de sobra para passar pelo Teatro Académico Gil Vicente este fim de semana.

quarta-feira, março 16, 2005

Folk Roots - Abril 2005

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A edição de Abril da Folk Roots traz as LAÏS na capa e um suplemento de 33 páginas sobre eventos relacionados com folk, world e roots music em 2005. No interior, para além das belgas, os destaques incluem o angolano WALDEMAR BASTOS, a palestiniana REEM KELANI, a violinista checa IVA BITTOVA e a cantora quechua LUZMILA CARPIO. Na secção de novos lançamentos viaja-se da música do Mali (contagiada por MANU CHAO e não só em Dimanche à Bamako, disco de AMADOU BAGAYOKO & MARIAM DOUMBIA) aos sons tradicionais da Inglaterra (Kind Letters é o novo MARTIN SIMPSON) atravessando pelo caminho a herança musical mediterrânica da região italiana da Calábria (dois discos: Chorè! dos NISTANIMÈRA e Mazzate Pesanti dos ARAMIRÈ) e a Dinamarca onde vive a iraquiana AIDA NADEEM que em Out Of Baghdad! mistura tradição com batidas electrónicas e atmosferas etno-digitais. Mal posso esperar pela edição em papel mas, enquanto esperam, podem espreitar (e participar!) no recém criado fRoots Fórum, ponto de encontro dos leitores e escribas da revista para troca de opiniões, notícias frescas e críticas a concertos.

terça-feira, março 15, 2005

FLAK - Flak

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Enquanto destacava o aniversário dos RÁDIO MACAU e traçava a discografia / genealogia dos RAIN PARADE no Fórum Sons apeteceu-me recordar o álbum de 1998 de FLAK, uma jóia neo-psicadélica de guitarras eléctricas e acústicas, violinos, orgão e um ramalhete caleidoscópico de achados sonoros. As melodias e o volume das guitarras combinam perfeitamente na pop luminosa de Sei Onde Me Vou Perder, A Dama do Lago e O Imenso Adeus enquanto em Antonov (com as suas referências narcóticas, muito 60s) e O Relógio Parado os arranjos acústicos conferem um toque pastoral. O atmosférico De Azul em Azul, um prodígio de simplicidade com a voz dolente da XANA tentando contrariar o fluxo inexorável da batida, aponta caminhos já sugeridos em Marca Amarela e mais tarde consolidados em Onde o Tempo Faz a Curva. É o único tema que não é cantado voz de FLAK mostra algumas limitações mas até essa fragilidade acaba por se dar bem com o carácter singelo do disco. Um álbum esquecido e que merecia melhor sorte.

segunda-feira, março 14, 2005

SAINTS - Nothing Is Straight In My House

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Depois do abandono de ED KUEPPER, em 1978, perdemos a esperança de voltar a ouvir dos THE SAINTS um novo (I'm) Stranded ou Eternally Yours, discos históricos e irrepetíveis, mas nos anos que se seguiram CHRIS BAILEY poucas vezes deixou a fasquia abaixo dos mínimos e em All Fools Day provou mesmo que os australianos continuavam a gravar música vital e excitante. Nothing Is Straight In My House, o disco de 2005, defende esta asserção desde o início com o fulgor das guitarras sujas em Porno Movies, o riff tonitruante de A Madman Wrecked My Happy Home e o tema-título. Algum interesse dilui-se a meio do caminho para regressar em Taking Tea With Aphrodite, na delicadeza acústica de Passing Strange e na leveza pop de Where Is My Monkey?. Não desiludindo os fãs é capaz de conquistar curiosos.

domingo, março 13, 2005

no horizonte

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sons para os próximos dias:

50 FOOT WAVE - Golden Ocean
CHARALAMBIDES - Our Bed Is Green
HOUSE OF LOVE – Days Run Away
JUNE TABOR – Always [4CD Box]
KONONO nº1 - Congotronics
LEE PERRY – I Am The Upsetter [4CD Box]
MADLIB - Mind Fusion, Vol. 1 and 2
SIGHTINGS - Arrived in Gold
SLITS – Live at the Gibus Club
THEY MIGHT BE GIANTS – Here Come The ABCs

sábado, março 12, 2005

búzios

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(alguns) sons que rodaram esta semana:

AIMEE MANN - Live at St. Ann's Warehouse
GAME THEORY – Distortion of Glory
JOHN DOE - Forever Hasn't Happened Yet
JULIAN COPE - Citizen Cain'd
LASSIE FUNDATION – Face Your Fun
RADIO BIRDMAN – Radios Appear
RAIN PARADE – Crashing Dream
SAINTS – Nothing Is Straight In My House
SCRITTI POLITTI – Early
Vários artistas - Beyond Punk - post-punk noise 1978-2005

sexta-feira, março 11, 2005

SCRITTI POLITTI - Early

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Beyond Punk - post-punk noise 1978-2005, a compilação que acompanha a edição de Abril da Mojo tem sido uma presença assídua no leitor de CDs e a sua virtude maior é relembrar-me como Skank Bloc Bologna, com o excêntrico reggae da secção rítmica e guitarras enroscadas é uma pequena maravilha do post-punk britânico. A recordação vem em boa altura uma vez que os históricos singles/EPs iniciais dos SCRITTI POLITTI acabaram de ser recuperados numa compilação, 25 anos depois e a partir das gravações originais em vinil. É fácil esquecer que antes da soul de olho azul do magnífico Songs To Remember e do synth pop ocasionalmente interessante de Cupid & Psyche 85, Green Garthside, convivia com os JOY DIVISION, GANG OF FOUR, SLITS e restante pandilha da segunda vaga do punk inglês num colectivo que combinava engajamento político com uma noção vaga de filosofia aplicada à escrita de canções. Surpreendentemente, o resultado final tem tanto de experimental e abstracto como de sedutor e apesar de ser um prelúdio no percurso artístico de Garthside, a sua influência na actual onda revivalista é mais evidente do que nunca.

quinta-feira, março 10, 2005

RADIO BIRDMAN - Radios Appear



Uma dos grandes achados da III Mega Feira do Disco de Coimbra foi a edição "overseas" de 1978, em vinil branco, do extraordinário álbum de estreia dos australianos RADIO BIRDMAN. Uma enxurrada de Detroit Rock (MC5, STOOGES - o álbum é dedicado aos últimos) e ferocidade punk que não prescinde de sentido melódico, disco e banda seriam uma influência prematura e duradoura sobre toda uma geração de bandas australianas (e não só...) no fim dos anos 70 e inícios de 80, dos SAINTSaos BIRTHDAY PARTY passando pelos SCIENTISTS, LIME SPIDERS, COLD CHISEL, CELIBATE RIFLES ou mesmo THE CHURCH. Na ressaca da adrenalina, os RADIO BIRDMAN também sabiam como puxar as rédeas à secção rítmica e abrandar o passo como se comprova em Man With The Golden Helmet e na desolação amorosa de Love Kills, com os seus motivos de piano e imagens da cidade de Detroit coberta de neve debaixo de um céu cinzento - café e cigarros na hora de partida. É um clássico absoluto ligeiramente diferente da prensagem australiana original (o grupo aproveitou para regravar alguns dos temas) e acrescenta 3 temas, um dos quais uma versão fabulosa de T.V. Eye, dos STOOGES (que se junta a outra, não menos fantástica, de You're Gonna Miss Me, dos 13th FLOOR ELEVATORS). Oiçam What Gives?, Aloha Steve & Danno, Anglo Girl Desire e, especialmente, a sufocante vertigem de Descend Into The Maelstrom e tirem a prova.

quarta-feira, março 09, 2005

Mojo - Abril 2005



Chegou ontem aqui a casa a Mojo de Abril e o destaque absoluto vai para o artigo (e fotos) sobre IAN CURTIS que anexa também duas páginas de capas históricas desenhadas e comentadas por PETER SAVILLE, um artigo sobre os NEW ORDER e uma pequena entrevista a Natalie Curtis, a filha do líder dos JOY DIVISION que tem agora 26 anos de idade - são 18 páginas no total. Também me parecem muito interessantes os textos sobre o "surfin' duo" JAN & DEAN e COUNT OSSIE e a entrevista a DR. JOHN. A secção dos álbuns abre com um elogio ao novo QUEENS OF THE STONE AGE e muitas estrelas para ANTONY & THE JOHNSONS, RUFUS WAINWRIGHT e PAOLO CONTE. Guero, de BECK, recebe um aplauso muito contido. Nas reedições o destaque fica com os DINOSAUR JR enquanto as caixas vão para The Complete Motown Singles vol1: 59-61 e JIMMY WEBB. ALI FARKA TOURÉ recebe duas páginas a propósito da actuação no Palais dês Beaux-Arts em Bruxelas e partilha a secção ao vivo com a reunião em palco dos GANG OF FOUR. Como se não bastasse ainda temos MARK E. SMITH a dissertar sobre Fun House, dos STOOGES, o disco da sua vida, e um guia de compras para a colossal Stax & Volt. A cereja em cima do bolo é o CD brinde com 15 temas que faz a ponte entre o post-punk e bandas contemporâneas: Beyond Punk - post-punk noise 1978-2005.

terça-feira, março 08, 2005

SHIVAREE - Who's Got Trouble?



Se Rough Dreams (2002) foi um compasso de espera, o novo SHIVAREE representa um salto qualitativo assinalável ao prescindir da produção barroca de I Oughtta Give You a Shot in the Head for Making Me Live in This Dump (1999) (mérito e culpa de Joe Henry) a favor de um som estilisticamente mais versátil e despojado. As canções agradecem a mudança e a maturidade lírica estende a mão à voz libidinosa de Ambrósia Parsley, tendo como exemplo maior a enternecedora Mexican Boyfriend ("my first cigarette and my first pill / my first cup of coffee and my first chill / now you'll never know my first kiss / somebody else will"). Parsley acaba por ser o fio condutor de um disco tão diverso quanto homogéneo onde para além de não faltarem sucessores de Midnight Moon (I Close My Eyes ou Little Black Mess, este último com uma introdução de piano reminiscente de Satie) ainda encontramos ambientes jazzy (Lost in a Dream), um banjo atmosférico (I Will Go Quietly), uma inesperada versão de um tema de Brian Eno (Fat Lady Of Limbourg) e referências a Brigitte Fontaine (It Got All Black). Sem esquecer a abertura delicada e sensual de New Casablanca. Um dos melhores discos pop editados este ano.

segunda-feira, março 07, 2005

GAME THEORY - Blaze of Glory



O que hoje seria uma obra-prima da estética low-fi em 1981 emergiu como um torvelinho de energia punk, melodias soberbas e um lirismo obliquo e palavroso, tudo produzido de forma nervosa e confusa e embrulhado em sacos do lixo porque não havia dinheiro suficiente para uma capa decente. Talvez esta impetuosidade seja o encanto que me faz regressar tantas vezes a Blaze of Glory, o disco estreia dos Game Theory, apesar de, objectivamente, não ser nada fácil defender as suas qualidades musicais. É nítida a dívida aos Big Star, Beatles e ao psicadelismo melódico dos anos 60 mas a estrutura angular das canções protagonismo das guitarras e sintetizadores colocam o som mais perto de contemporâneos como os Sneakers, dB’s ou Three O’Clock. As letras Scott Miller são vinhetas sobre a turbulência emocional das relações amorosas escritas num estilo críptico, por vezes indecifrável, com referências a campus universitários, paixões adolescentes e Franz Kafka – tudo acaba por soar à banda new wave de James Joyce. Blaze of Glory acabaria ultrapassado pela pop-rock conciso e prudente do excelente Big Shot Chronicles (1986), pela obra-prima de power-pop experimental, o duplo-álbum de 1987 Lolita Nation, e até mesmo pela abordagem estritamente comercial de 2 Steps From the Middle Ages (1988). Mas aqui transpira o genuíno retrato do artista enquanto jovem e, ao ouvir estas canções, é impossível resistir ao sorriso de desafio, brilho nos olhos e ingenuidade de quem as interpreta.

Game Theory - Blaze of Glory (Rational, 1981) [editado em CD em 1993, pela Alias Records, com o EPs Pointed Accounts of People You Know (Rational, 1983) e Distortion (Rational, 1984)]

domingo, março 06, 2005



NO HORIZONTE : sons para os próximos dias

Go-Betweens - Oceans Apart
John Doe - Forever Hasn't Happened Yet
Julian Cope - Citizen Cain'd
Mary Lorson - Realistic
Miguel 'Anga' Diaz - Echu Mingua
Saints - Nothing Is Straight In My House
Solomon Burke - Make Do With What You Got
Sylvie Lewis - Tangos & Tantrums
Taj Mahal meets The Culture Musical Club of Zanzibar - Mkutano
Vários Artistas - Golden Afrique vol. 1 : a compilation 1971-83

sábado, março 05, 2005


BÚZIOS : (alguns) sons que rodaram esta semana

Andrew Bird - The Mysterious Production of Eggs
Archer Prewitt - Wilderness
Flak - Flak
Jennifer Gentle - Valende
Rain Parade - Crashing Dream
Radio Macau - Disco Pirata 2005
Ronny Elliott - Valentine Roadkill
Cristina Branco - Ulisses
Shivaree - Who´s Got Trouble?
Skygreen Leopards - Life and Love in Sparrow's Meadow

sexta-feira, março 04, 2005

RTP1 - Povo Que Canta



Próximo Domingo, 6 de Março, apontem os videogravadores para a RTP1 às 11 horas para registarem a estreia de Povo que Canta, uma série de 13 episódios de 52 minutos de duração que "pretende ser uma homenagem a Michel Giacometti e a Alfredo Tropa mas também à memória da cultura do povo português". Resultado da parceria de Ivan Dias e Manuel Rocha (da Brigada Victor Jara) que, durante dois anos, recolheram imagens e sons pelo território nacional, a ideia inspira-se na histórica série com o mesmo nome que Giacometti e Tropa registaram para a televisão portuguesa no fim dos anos 70. Cada região terá direito a um ou dois episódios (um da Madeira e Porto Santo, 2 dos Açores, 1 do Minho, 2 de Trás-os-Montes, 2 das Beiras, 2 do Alentejo e 1 do Algarve), e um será integralmente dedicado à Brigada Vítor Jara. Entre os muitos protagonistas contam-se o canto alentejano, as festas dos rapazes ou o Carnaval da Terceira e Isabel Silvestre. Nas palavras de Manuel Rocha: "a música não morreu, as expressões populares não morreram; sou a favor do registo da memória para depois mandá-la para o futuro".
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quarta-feira, março 02, 2005

SEU JORGE - Cru



Esta Quinta-feira, com a edição do Diário de Notícias, podem deitar mão ao DVD de Cidade de Deus, o excelente filme de Fernando Meireles – pareceu-me um bom pretexto para recuperar Cru, de Seu Jorge, o melhor álbum de música brasileira do ano passado. Para quem não entendeu a associação, Seu Jorge é Mané Galinha no filme de Meireles, um jovem negro com bons princípios cuja vida sofre um revés dramático quando se cruza com os gangs de droga da favela. Em 2002, Samba Esporte Fino seguiu a cartilha de Jorge Ben Jor e virou o samba do avesso com funk, rock e outros condimentos exóticos. Foi um dos discos do ano. Este Cru é menos festivo e mais intimista com os seus sambas acústicos onde uma mistura primária de cavaquinho e percussão funciona como veículo perfeito para a voz de Seu Jorge. Tive Razão e Eu Sou Favela são dois bons exemplos mas o génio é ainda mais evidente quando o acompanhamento se limita ao violão: as belíssimas Una Mujer, Fiore de la Cittá, Bola de Meia e São Gonça são clássicos instantâneos. Pelo caminho reinventam-se canções que conhecíamos de Gainsbourg (Chatterton) e Presley (Don’t) enquanto Mania de Peitão transborda ironia. É difícil encontrar na música brasileira actual um talento da dimensão de Seu Jorge.

terça-feira, março 01, 2005

III Mega Feira do Disco em Coimbra


É uma monumental barraca a que está armada na Praça do Comércio da cidade de Coimbra e eu aconselho todos melómanos e curiosos a passarem por lá: começa hoje a III Mega Feira do Disco que se prolonga até ao próximo Domingo e, a julgar pela edição do ano passado, podem esperar dezenas de expositores com CDs e vinil a perder de vista. Também se encontram novidades mas a atracção principal são mesmo os CDs baratuchos (Madder Rose, Robert Wyatt, Renegade Soundwave, Maria McKee foram algumas das minhas compras em 2004) e preciosidades em vinil. O prato do gira-discos (também) precisa de amigos e eu fiz-lhe a vontade com Vai de Roda, Raízes, Almanaque, Grupo de Cantares de Manhouce e o magnífico disco perdido da Banda do Casaco, Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos. Isto foi o ano passado. Este ano conto resgatar os que ficaram para trás e encontrar mais algumas surpresas. A preços simpáticos!
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Mojo - Psychedelic



A edição especial (limitada!) da Mojo dedicada ao movimento psicadélico da década de 60 é uma compra obrigatória apesar do preço (quase) proibitivo. Para além da selecção comentada dos 40 melhores discos editados entre 1965 e 1968, traz uma cronologia exaustiva desses anos e reproduz fotos e posters mirabolantes acompanhados de textos sobre lugares míticos, acessórios da moda e exemplos de psicadelismo fora do Reino Unido e EUA. Os artigos principais abordam a "Black Psychedelia", a influência musical nas décadas seguintes e o fenómeno psicadélico na costa Oeste dos EUA. Os suspeitos do costume têm destaques especiais: Beatles, Pink Floyd, Small Faces, Jimi Hendrix e Pretty Things. Como é hábito nas edições da Mojo a qualidade gráfica é fabulosa e mais não digo (muito menos o preço: procurem, folheiem e decidam depois).
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