terça-feira, março 29, 2005

TOM RUSSELL - Hotwalker

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Hotwalker, segunda parte da trilogia de TOM RUSSELL e uma das edições vitais de 2005, é um fresco panorâmico sobre o oeste norte-americano do fim dos anos 1950 e início da década de 1960 habitada pelos fantasmas de trovadores, músicos, poetas e personagens populares (“real american heroes”) que acabariam vencidos e esquecidos no grande assalto perpetrado por “politicians, corporate madmen, collage professors e media people”. Privilegiando a declamação mais do que a canção, Russell, com a ajuda do caricato Little Jack Horton, lança um último olhar nostálgico sobre a América da “beat generation”, desempoeirando memórias em torno da figura de CHARLES BUKOWSKI. Mais do que canções, são atmosferas que vão ligando as palavras ressonantes de Russell projectando o ouvinte noutros tempos e lugares onde eram comuns as evasões na direcção da fronteira mexicana em busca das promessas de rum, tequilla, prostitutas, fiestas e touradas em lugares como Juarez ou Tijuana. Ou então nos salões fumarentos de Los Angeles onde germinava o ‘heroin jazz’ de ART PEPPER, CHET BAKER, ‘the south central sound”. Russell dá também um salto à ‘east coast’ prestando tributo à figura de DAVE VAN RONK (o ‘Papa’ de Greenwich Village, mentor de BOB DYLAN e PHIL OCHS) para depois regressar à costa Oeste e desterrar do passado as vozes de gente como EDWARD ABBEY (com o seu lirismo inspirado na pureza e beleza selvagem do Oeste americano), HARRY PARTCH (revolvendo tralha inútil para construir instrumentos de onde extraía os sons surreais), a poesia beat de JACK KEROUAC ou o LENNY BRUCE, sempre acossado pela América puritana e politicamente correcta que, no fim, o venceria. Pelo meio Russel ainda presta homenagens sentidas ao som de Bakersfield, de BUCK OWENS, MERLE HAGGARD e outros exilados do ‘dust bowl’, personagens de Steinbeck, refugiados do Oklahoma que trouxeram para a Califórnia as steel guitars e ‘hillbilly music’. A música vai desde jazz ao “west coast style black gospel” com sopros pelos acordeãos e violões de mexicali, canções religiosas de peregrinos, valsa e polkas da fronteira e country & western. [Bukowski] told us what it was like behind the shades in all those lonely rooms in Hollywood, and if you don’t think there are a lot of people dying behind the shades in lonely rooms then you don’t know America. Um disco de fôlego admirável e candidato a álbum do ano!

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

O Dave Van Ronk era o Mayor de MacDougal Street não o PAPA

1:04 da tarde  
Blogger Familycat said...

Curiosamente, a expressão não é minha mas do próprio Tom Russell...

10:29 da tarde  

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