sexta-feira, abril 15, 2005

THE DAMNED - Machine Gun Etiquette

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Sem querer retirar uma única folha aos louros de Brian James pelo glorioso pontapé de saída do punk britânico que foi Damned Damned Damned, a verdade é que o regresso dos THE DAMNED em 1979, reformados e comandados por Captain Sensible, marca uma das mais visionárias colisões do culto punk da velocidade e furor com um sentido estrambólico de experimentação em estúdio. O artigo de Andrew Perry para a Mojo: Punk Special Edition (“The Nutters’ Club”) ilustra bem o desvario que rodeou as sessões de gravação de Machine Gun Etiquette e o despenhar da banda na digressão anárquica que se seguiu. Os ingleses chamam ‘everything including the kitchen sink aesthetic” ao que, na realidade, foi a implosão em estúdio dos estereótipos em que o movimento punk se havia formatado apenas dois anos depois da sua aparição: melodias roubadas a jingles publicitários tocados em reverso, baralhação das misturas finais dos instrumentos, mellotrons roubados aos 10CC, órgãos tocados através de ‘fuzzboxes’, solos de guitarra (na tradição do rock progressivo), notas singelas de piano, árias de opereta, sons diversos e ruído, ruído, ruído. A Mojo destaca-o como uma das 10 obras-primas do punk entre os 77 discos obrigatórios do movimento. Enquanto isso, no estúdio ao lado, os THE CLASH davam forma a London Calling – outra punhalada no punk vinda dos seus filhos mais pródigos.