segunda-feira, abril 11, 2005

LURA - Di Korpu Ku Alma

Image hosted by Photobucket.com

Na edição de Sexta-feira passada do Y, Nuno Pacheco, director-adjunto n’O Público e escriba de serviço quando se trata de divulgar sons mais afastados das latitudes anglo-saxónicas, brindou a edição especial do estupendo álbum de 2004 de LURA com um superlativo 10/10. É uma óptima ocasião para recordar que Di Korpu Ku Alma esteve entre os meus 10 discos favoritos do ano passado e pouca gente lhe prestou atenção (mesmo entre apreciadores das músicas do mundo). A juntar a isto, Tr’adicional, dos SIMENTERA, foi o meu Álbum do Ano em 2003 pelo que julgo não ser necessário apresentar mais credenciais para ilustrar a paixão que a Rosa dos Sons nutre pela música cabo-verdiana. Esta edição altera o alinhamento original, adiciona faixas (e elimina a excelente Dzê Que Dzê, não se percebe muito bem porquê…) e junta um DVD com interpretações ao vivo e vídeos de alguns temas. Infelizmente, escapou-me por entre os dedos: ainda a vi no expositor de uma loja mas poucas horas depois já tinha desaparecido. Pode ser que agora a distribuição lhe dê outra oportunidade. Entretanto, não resisto a deixar aqui parte do primeiro texto do Nuno Pacheco n’O Público para este belo disco:

Ao terceiro disco, a cabo-verdiana Lura desponta em todo o seu esplendor criativo e vocal. Nãos são exageradas as palavras de José Agualuza quando, ao escrever sobre ela, afirma: “Dêem-lhe uma causa e a voz desta mulher transforma-se em chicote. Dêem-lhe um chão e será raiz. Dêem-lhe uma raiz e será flor.” Deram-lhe tudo isso e ela foi, a um só tempo, chicote, raiz, flor. Desde logo nas fulgurantes interpretações do malogrado Orlando Pantera, desaparecido prematuramente, como o saudoso Katchas (de quem Lura também canta, neste disco, a canção “Tó Martins”). “Batuku”, no arranque do CD, é um poderoso cartão de visita e, abertas as portas, já não é possível fechá-las ao que se segue: a dolência doce de “So um cartinha”, escrita por Lura e por ela cantada como se há muito lhe habitasse a voz; a ironia de “Na ri na”, “Raboita de Bubon Manel” ou “Vazulina” (Pantera, de novo, a última de sabor angolano), a calmaria de “Nha vida” ou “Tem um hora pa tude” (duas boas composições da Lura), a reafirmação de “Dzê que dzê” e o talento, recém-revelado, do jovem Tcheca (Manuel Lopes Andrade), brilhando na voz de Lura com “Ma’ n ba dês bês kumida dá” ou “Tabanka assigo”. Um disco portentoso.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

O 10/10 do Nuno Pacheco é uma coisa inaudita. Não é de admirar, os discos que ele aprecia são quase todos obras-primas!!
Estou a dizer isto do ponto de vista de alguém que ouve bastante música brasileira e tem um apaixão pela música cabo-verdiana.
A Lura fez um bom disco mas muito longe de uma obra-prima como o 10/10 poderá fazer crer.

A Lura sempre viveu em Portugal e só muito recentemente apanhou a boleia de cabo-verde. Antes disso cantava r&b e soul.

Nada que a impedisse de fazer um bom disco, naturalmente, mas acho que lhe falta quaquer coisa para ser mais que um bom disco.
Polido e certinho, talvez lhe falte terra e mar!!
Confrontar com o último e definitivo do Ildo Lobo. A voz...

12:31 da tarde  
Blogger Familycat said...

10/10 é, de facto, uma surpresa mesmo para quem gostou muito do álbum, como foi o meu caso. Mas (e se não estou enganado) a nota do Nuno Pacheco para a edição original foi de 9/10 – julgo que o 10 é mesmo para premiar este duplo digipack com o DVD e adições. Os arranjos mais sofisticados não parecem arranhar a qualidade do disco. O último Ildo Lobo está na minha lista de futuras aquisições e depois do teu comentário acho que não vou adiar mais a compra. :)

12:20 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home