MARY LORSON & SAINT LOW - Realistic

As melodias de Realistic caem suavemente sobre quem as ouve como um véu translúcido de notas de piano ornamentado com guitarras acústicas, acordeões, órgão, instrumentos de sopro, violinos e violoncelos, com o ocasional reflexo dourado da steel guitar e do mandolim, descobrindo monólogos sobre as vicissitudes das relações e a qualidade agridoce da solidão à entrada dos 40. Seria este o disco que Kristin Hersh gravaria se soubesse como dar continuidade à sua veia mais despojada, ou mesmo Aimee Mann se tivesse uma voz menos vulgar e inexpressiva. Mas a grande qualidade de canções como Realistic, a frágil Spider ou a Ties That Bind é não possuírem nos arranjos ou temas o lastro pesado das modas e modernidades, a garantia de que as ouviremos daqui por 20 anos sem terem envelhecido um dia que seja. Como consequência, está condenado à invisibilidade entre os caçadores de novidades e videntes das novas tendências. Para mim, é um dos discos do ano e confirma MARY LORSON como a mais apaixonante escritora e intérprete de canções da actualidade.

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